O que é criação com apego?

Após muitos estudos nas áreas da psicologia e desenvolvimento infantil, mas principalmente depois do nascimento do meu segundo filho, eu entendi verdadeiramente a importância e a potência do contato físico, das necessidades atendidas, de amor e afeto na criação de nossos filhos.

Hoje, olhando pra trás e analisando todos os cursos de gestantes que fiz (eu fui a louca do curso de gestantes), fico impressionada quando percebo que aprendi a trocar fralda com maestria, curar umbigo com rigor hospitalar, mas ninguém me falou o que mais eu precisa ouvir: que meu filho precisava de colo, afeto e que era extremamente importante que eu atendesse todas as suas necessidades. Pelo contrário, me ensinaram que era importante já deixar meu filho dormir no berço desde a primeira noite. E que depois dos 3 primeiros meses de vida, já era importante deixá-lo chorar, cada dia um pouco mais, para que aprendesse a dormir à noite inteira. Só consigo dizer: quanta crueldade! A criação com apego, a parentalidade positiva e qualquer outra forma respeitosa de criação de filhos respeitosa deveria ser um serviço de utilidade pública. Quer engravidar ou engravidou? Então, faça um curso desses. Seu filho só poderá nascer depois do seu certificado em mãos. Não é assim quando fazemos uma faculdade? Um médico pode atender sem ser formado em medicina? Então, pais também não deveriam ter filhos sem estudar.

E hoje vou falar de uma dessas correntes de educação respeitosa. A educação com apego é uma filosofia baseada na teoria do apego, segundo a qual o vínculo dos pais com o bebê é o protagonista durante os primeiros anos do pequeno. Este método educativo baseia-se em oito princípios básicos e mostra que crianças criadas com apego seguro, geralmente respondem melhor as situações de estresse, se relacionam bem com o meio, enquanto os com apego inseguro são propensos à depressão e situações de ansiedade e são menos flexíveis.

Mas o que é esse tal de APEGO?

O apego se refere ao vínculo que a criança tem com seus pais como fonte de referência desde a primeira fase da vida. No entanto, o tipo de apego pode levar a uma ligação saudável ou então, ao contrário, a um vínculo instável marcado pela ansiedade. E todos os pais sabem que os filhos precisam de atenção, consolo e sensação de segurança, mas por diversas razões, nem sempre esta relação é simples de se estabelecer. Quando pais/cuidadores não reconhecem os sinais de que a criança está incomodada e não respondem de modo adequado às suas necessidades, desenvolve-se entre eles um vínculo inseguro ou desorganizado.
Em um estudo com 14.000 crianças dos Estados Unidos, descobriu-se que 40% não têm fortes vínculos emocionais com os pais. Estes vínculos representam o que os psicólogos chamam de “apego seguro” e são cruciais para o sucesso mais tarde na vida.
Em que consiste a educação de apego/criação com apego?
Durante os três primeiros anos de vida, o cérebro do bebé alcança 90% do tamanho adulto e coloca no seu lugar a maior parte das estruturas que são responsáveis pelo funcionamento emocional, comportamental, social e fisiológico para o resto da sua vida. Por isso, especialmente nestes anos, a criança necessita de se sentir segura e equilibrada emocionalmente para ter um desenvolvimento adequado.Neste contexto, a educação com apego por parte dos pais revela-se fundamental para conseguir alcançar a segurança de que a criança necessita.
Os 8 princípios da criação com apego
Esta filosofia é constituída por oito princípios, os chamados “8 B da Educação com Apego”, baseados na proximidade, no respeito e na atenção contínua, necessidades que irão acompanhar o pequeno durante os seus primeiros anos de vida. São os seguintes:

1. Manter os laços afetivos desde o nascimento
Esta filosofia de educação defende que os partos devem ser mais naturais e conscientes. Este primeiro ponto é o início de tudo e, por isso, considerado muito importante. E mais do que buscar um parto humanizado, como eu disse no início deste texto, é de suma importância se preparar para a chegada da criança: estudar diferentes filosofias de criação, opções de parto e amamentação, considerando uma doula para o parto e/ou pós-parto, pesquisar questões sobre as rotinas de cuidados com o recém-nascido, ler livros sobre maternidade e paternidade conscientes, etc. E sobre o nascimento, em especial, essa teoria aponta que o primeiro vínculo da mãe com o bebê deve ser dado através do contato pele a pele, imediatamente após o nascimento, pois trata-se de um momento de máxima sensibilidade para ambos.

2. Alimentação respeitosa e amorosa
A educação com apego defende, juntamente com a OMS, que a amamentação materna sob livre demanda deve ser exclusiva para o bebê durante os seus primeiros seis meses de vida, e deve ser combinada com outros alimentos até que mãe e filho a queiram abandonar. Acredita-se que por meio da alimentação é possível criar e desenvolver fortes vínculos entre todos os membros da família a começar nos primerios dias de vida. A amamentação, uma alimentação equilibrada e consciente e refeições como momentos de união em família, fortalecem os laços de afeto. Por isso, a criação com apego ressalta a importância de uma alimentação pautada pelo amor e respeito. Entre as orientações, estão: avaliar alternativas ao uso de mamadeira e chupeta e, se as utilizar, associá-las com o colo e atenção exclusiva ao bebê, para que não se tornem objetos de transição, introduzir os alimentos sólidos apenas quando o bebê der sinais de que está pronto e não com base na faixa etária, deixar que o pequeno desenvolva seu paladar naturalmente e continuar a amamentar mesmo depois da introdução alimentar.

3. Dormir próximo do bebê para garantir um sono seguro física e emocionalmente
A criação com apego defende que os bebês precisam da garantia de pais amáveis para se sentirem seguros durante a noite. A ideia é oferecer ao bebê a tranquilidade e segurança de que necessita para ter um sono agradável. Dessa forma, os pais conseguem ajudar a transformar a sensação de angústia que experimentam muitas crianças durante a noite num momento mais seguro. Inclusive para os pais, que não precisam ficar se levantando várias vezes durante a noite. Neste tipo de criação, é incentivado a prática de técnicas como o cama compartilhada ou outras ideias de “cosleeping”: cama ou moisés acoplado à cama do casal. Independente da escolha, o objetivo é tornar as rotinas noturnas mais relaxantes, criando hábitos de sono mais saudáveis. Outros pontos importantes são: ajudar o pequeno a entender os sinais do próprio corpo, reconhecendo sinais de cansaço. Quando chegar a hora da criança passar para a própria cama, fazer essa transição gentilmente, respeitando e respondendo aos possíveis sentimentos de medo e tristeza que podem surgir.


4. Manter o contato corporal com o bebê
Já viram que o número de mães com seus bebês nos slings aumentaram muito? Além de sentir a sua mãe logo após o nascimento, essa teoria reforça que o bebê esteja em contato com a sua mãe em qualquer situação diária para manter uma relação próxima. Sendo assim, os beijos, abraços, carícias, o momento da amamentação, o uso de slings, e massagens são apenas algumas formas de atender a necessidade do toque. O contato pele a pele traz inúmeros benefícios para o pequeno, tais como o estímulo dos hormônios de crescimento, a melhora do desenvolvimento intelectual e motor, melhor regulação da temperatura corporal, batimentos cardíacos e padrões de sono. Além disso, bebês que recebem contato afetivo têm mais chances de ganhar peso mais rápido, mamar melhor, chorar menos e serem mais calmos. Nunca pense que existe “carinho em excesso” ou que colo demais deixa a criança mimada, pelo contrário. Deixa a criança segura e estimula o seu desenvolvimento.


5. Respondendo sempre com muita sensibilidade
O choro é o principal meio que o bebé tem para expressar que algo não está bem: sente-se desconfortável, inseguro, tem fome, tem sono, etc. Como tal, é essencial que os pais saibam interpretar os lamentos dos seu par para satisfazer essas necessidades, até ao momento em que a criança seja independente para as satisfazer sozinho.
Este é um ponto fundamental para a criação com apego. Ter sensibilidade nas respostas às necessidades do bebê é a base de um vínculo de apego seguro e saudável, onde valores como empatia e compaixão são aplicados no dia a dia. Ao contrário do que se diz a respeito do colo excessivo mimar o pequeno, este estilo de criação encara que é perfeitamente normal que bebês queiram contato físico constantemente, pois sentem-se seguros assim. Portanto, é importante não ignorar o pedido por afeto. O choro do bebê é a forma como ele tem de comunicar suas necessidades e as birras representam emoções reais que também devem ser levadas a sério.
No momento de uma explosão de raiva, o ideal é que os pais dêem conforto e aconchego ao filho, ao invés de brigar ou punir. Mesmo depois, com o filho mais velho, é importante manter uma conexão baseada no respeito aos sentimentos da criança, buscando entender as necessidades por trás de seus comportamentos.

  1. Ser flexível no momento de incutir hábitos na criança
    Os pais devem ser flexíveis para com as necessidades do bebé e devem ensinar-lhes que eles também o devem ser. Ou seja, não se recomenda forçar o bebé a comer ou a dormir quando não querem, e há que ensiná-los a comer e a dormir em qualquer lugar.
  2. Manter um equilíbrio
    Como em todos os aspetos da vida, também na altura de criar os filhos deve haver equilíbrio. Isto significa que não se deve ser demasiado permissivo nem muito restrito na altura de impor disciplina. Como tal, é necessário ensinar ao pequeno o valor do respeito e da educação.
  3. Mamã e papai, ambos, cuidam do bebê

Para terminar, da criação com apego estabelece que é aconselhável criar um ambiente de segurança e confiança entre os pais ou cuidadores do bebé. Desta forma, qualquer momento que se partilhe com os bebés vai estar baseado no respeito, companheirismo e responsabilidade. Os pais devem transmitir à criança esses valores mediante a relação e atitudes que partilhem diante do seu filho.

Quero muito saber o que você achou! Já pratica ou se identificou com a educação com apego?

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