Conectando-se com seu filho adolescente

Uma criança crescida ou um adulto incompetente? Aborrecentes ou seres em crise existencial? Nenhuma das opções. Mas o que então é esse tal de adolescer? Bom, adolescentes são adultos em construção, em processo de individuação, de busca por ser no mundo. Pessoas que precisam de um forte apoio emocional de seus pais. Mas é triste ver como a adolescência é rotulada como uma fase tão negativa e, principalmente ver que os próprios pais não criam um espaço seguro para que os adolescentes possam ser eles mesmos. Muitas vezes, os pais tomam o processo de individuação como rebeldia, mas nada mais é que uma etapa para esse vir a ser no mundo, uma fase extremante importante e estruturante.
Mas sinto que os pais se revoltam mais que os próprios adolescentes quando vejo estatísticas assustadoras: 95% do pais que tem filhos adolescentes que se drogam ou se mutilam, não sabem que eles estão vivenciando essas experiências. Filhas adolescentes que fazem aborto, os pais ainda acham que são virgens. Tamanha desconexão que a família vive dentro de casa.


E tudo isso acontece porque na virada da infância para adolescência, aquele filho obediente que andava debaixo da saia de sua mãe, começa a ter fortes desejos e a impô-los. E os pais começam a contestá-los e viram as costas ao invés de ouvi-los. E a busca dessa perfeição e projeção do filho ideal: quero que meu filho faça uma ótima faculdade, seja heterossexual, obediente, magro, pratique esportes faz com os pais se desconectem profundamente de seus filhos. E quando o adolescente sente que está saindo fora dessa caixa da perfeição imaginada pelos pais, ele se sente inadequado e vai minando toda a sua vontade de viver. A busca dessa perfeição parental, dentro de limites rígidos de criação, tem destruído milhares de jovens, pois quando esses não conseguem atender a alta expectativa de seus pais, eles ficam confusos, estressados e sem recursos para enfrentar a realidade. Rendem-se então as alternativas como álcool, drogas e afins, para conseguirem lidar com essa frustração de serem os filhos imperfeitos que decepcionaram seus pais.

Todo ser humano precisa se sentir amado e aceito. E muitos adolescentes estão se sentindo longe disso, pois sentem diariamente o olhar fulminante de inadequação de seus pais. Por isso os índices de suicídio e as crises de ansiedade nessa fase estão tão altas. Simplesmente adolescentes desconectados com sua família. Vivemos a era da desconexão e os adolescentes, como qualquer outro ser humano, querem presença genuína de seus pais, reconhecimento, querem familiares atento à eles. E os pais, por não conseguirem lidar com o crescimento de seus filhos, fogem deles. E na maioria das vezes, tenho visto pais virando as costas para seus filhos e não o contrário. Quando uma mãe me relata que não suporta mais a revolta de seu filho, que ele abandou completamente a família e virou às costas para seus pais, é sempre tamanha a surpresa dessa mãe quando ela descobre que foi ela própria que o abandonou, pois não conseguiu lidar com o filho real que ela tinha casa. Ele alimentou um filho imaginário que só existia na mente dela. E deixou o filho real de lado, literalmente jogado às críticas, rótulos e agressões.


Se quisermos nos conectar com nossos filhos, é preciso entender que primeiro é preciso trocar controle por confiança e investir na relação com os adolescentes. É necessário trocar o autoritarismo pela autoridade baseada no respeito. É preciso respeitar para que eles nos respeitem. E se houve uma criação muito autoritária e opressora, vai ser mais demorado conseguir essa conexão. Mas é preciso entender que a mudança vai começar em você! Então, como me conectar com meu adolescente?

1) Escuta verdadeira, ativa, presente e sem julgamentos. Escute as necessidades e desejos dos seus filhos. Acolher e escutar não significa atender a todos os desejos. Escute com carinho o seu desejo de ir a uma festa rave, entenda os motivos, quem vai, o que o atrai nessa festa, etc. E escutar ativamente não significa que você vai autorizar a ida dele, mas saiba que a conexão estará presente e ele receberá um não com o coração muito mais aberto. Já as necessidades sim, essas precisamos atender: necessidade de pertencimento, de ser aceito, amado incondicionalmente, de reconhecimento, de aceitação, de segurança emocional, de confiança. Nós pais somos responsáveis pelos nossos filhos. E responsabilidade não é vigiar e controlar. Quando seu filho vier te contar alguma coisa, por mais difícil que seja, escute e se conecte…sem julgar. Perceba que seu filho precisa de um espaço seguro para ser quem ele é de verdade.

2) Cuide da sua presença ao lado dele, cuide da relação, precisa ser uma intenção diária, insista nessa conexão com muito respeito, estude o que seu filho gosta de fazer e aceite-o como ele é, na íntegra. Se conseguir 5 minutos de conexão já está ótimo. Vai regando e investindo nesse relacionamento. Use a lente do amor e da generosidade para se ligar a ele.

3) Ame-o incondicionalmente, mas não somente na teoria: na prática! Mostre (em ações) para seu filho que você o ama por quem ele é, independente do que ele diga ou faça. O amor incondicional dos pais é fonte de vida, pulsão, energia que vai mover e desenvolver a autoestima no filho.

4) Reconheça seus filhos pelos seus atos, pelo seu esforço, dedicação e por cada vitória, mesmo que mínima. Diga-o sempre o quanto ele é importante para você.

5) Saia do controle e desenvolva uma relação de confiança. Quando você conseguir fazer seu filho realmente acreditar que você confia nele, ele fará de tudo para não perder esse elo tão forte entre vocês. E o amis importante, ele se sentirá seguro para te contar seus desafios e problemas. Ele correrá para você quando tiver um problema e não correrá de você para o mundo das drogas e álcool.

Entenda que seu filho é perfeito para você, do jeitinho dele. E o lar deve ser o ambiente mais seguro para que ele seja quem ele nasceu para ser. E você, dever ser o grande encorajador do seu adolescer.

https://www.youtube.com/watch?v=ilBW646yIMo

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