Como manter o autocontrole na educação dos filhos

A primeira vez que senti minha filha me olhar com medo, ela não tinha nem dois anos de idade, tive o insight mais doloroso imaginável. E o maior gatilho de transformação da minha vida. Com pesar profundo, percebi que não era essa a mãe que iria criar minha filha. Foi meu despertar para a parentalidade positiva.

Descobri que uma relação amorosa e respeitosa com nossos filhos constrói PONTES. E que gritos, castigos e punições constroem MUROS.

Pontes vão fazer nossos filhos correrem pra gente nos momentos de alegria, dificuldades, desafios e tristeza. Vão nos conectar com nossos filhos em qualquer época da vida. Pontes são construídas nos momentos de alegria e, principalmente, nos momentos de desafio de comportamento.

Muros vão nos afastar e nos desconectar dos nossos filhos. São construídos diariamente durante os gritos, castigos, punições e não somente assim. Na ausência afetiva, na falsa presença, pois os olhos estão conectados no celular, no estresse diário, naquele olhar de raiva, no “depois eu brinco” dito a todo momento. Muros são construídos quando tentamos comprar a felicidade do nosso filho com presentes caros e festas incríveis ao invés de tentarmos nutri-las na essência.

Pontes surgem no equilíbrio de uma relação harmoniosa e muros no nosso desequilíbrio e descontrole emocional. “Mas pelo amor de Deus, como eu faço para me controlar, então? Meu filho me tira do sério”. Não, ele não te tira do sério! Ninguém tem essa capacidade! É você que não sabe regular suas emoções. “Então não posso sentir raiva mais?” Claro que sim! O que você não precisa é entender que o seu filho não pode ser um para-raio do seu descontrole, do seu estresse, do seu cansaço. E então? Quer construir muros ou pontes? Se quiser pontes, tente trabalhar profundamente o seu autocontrole. Segui algumas dicas:

1. Assuma, valide e expresse a sua raiva sem culpar ninguém, ela é só sua! Filha, a mamãe está com muita raiva agora e não gostaria de conversar, me dá um tempinho, por favor? A raiva é um sentimento normal e que todas nós sentimos. Surge porque estamos frustradas, cansadas, esgotadas, com fome, com sono, tendo que atender outras demandas, e aí até uma simples troca de roupa da criança pode se transformar num calvário materno. A impaciência aparece principalmente nos nossos momentos de estresse tornando insuportável qualquer descontrole, chilique ou piti dos nossos preciosos. É normal se sentir frustrada, irritada ou com raivada criança por ela se recusar a fazer algo que queremos e que ela, por algum motivo que talvez nunca saberemos, achou ofensivo naquele momento. E é justamente nesses momentos que precisamos assumir o sentimento que estamos tendo sem culpas e recuar, buscando manter alguma calma para que nossas ações e palavras não sejam carregadas de violência. Não tem problema você sentir nada disso. Como você vai agir apesar disso é que faz diferença.

2. Respire profundamente e quantas vezes for necessário: a respiração é a mãe do autocontrole. Antes de qualquer atitude respire, respire novamente e respire de novo. Conte até 10 e aí respire mais um pouco. Muitas vezes o tempo em que você busca se acalmar também será o tempo em que a criança se abranda.

3. Se afaste para não explodir perto da criança: se ainda assim for difícil manter o controle, e a situação parece caótica, se afaste por alguns minutos, deixe para gritar e falar palavrões no seu quarto, no banheiro, enfim, sozinha. Ou você quer que seu filho aprende tudo isso? Pode ser simplesmente mantendo-se parada em silêncio (se não puder se retirar um pouco realmente) feche os olhos e visualize uma imagem serena na mente, respire calmamente e novamente volte atenção ao momento.

4. Empatia sempre: antes de qualquer (re)ação o mantra deve ser entoado: “meu filho é uma criança sendo criança”. Crianças são seres humanos em desenvolvimento, não tem controle emocional, estão construindo o certo e errado a partir da socialização e somos nós (adultos) que precisamos dar as ferramentas certas para que se desenvolvam como seres humanos íntegros. Você é a pessoa adulta, que tem mais bagagem para entender e lidar com a tempestade emocional da situação e não a criança. Ou seja, na hora da birra, cuidado para não dar mais birra que seus filhos.

5. Evite o confronto em momentos de tensão: escolha a DEDO as brigas que você vai ter com seus filhos na vida. Lute as batalhas que realmente tem valor para você. Nunca tente provocar um enfrentamento ou ensinar algo enquanto a criança está nervosa ou chorando. Somente após acalmar a criança explique-a de forma objetiva o que estava acontecendo, inclusive fazendo-a começar a perceber que ficou nervosa, com raiva, irritada, etc. Isso é importante para a cria começar a entender os próprios sentimentos.

6. Estimule uma rotina saudável e flexível: mantenha minimante uma rotina no ambiente familiar, com os horários das refeições, higiene e as sonecas. A rotina é importante para que a criança se sinta tranquila.

7. Evite desgastes: seja proativo, evite situações desgastantes para a criança quando estiver muito estressada. Por exemplo, se você não está num bom momento para gerenciar os desafios de comportamento, evite situações que você sabe que geralmente são desgastantes.

8. Não se culpe: Seja generosa consigo mesma, tenha autocompaixão. Se for pra sentir raiva porque brigou, gritou e se descontrolou, use a energia da culpa pra fazer melhor da próxima vez. Foque em resultados positivos! E não no que já passou. Criar filhos não é uma coisa fácil nem quando todas as variáveis estão perfeitamente encaixadas: rede de apoio, pai que cumpre obrigações, vida financeira estabilizada… Imagina então na realidade da maioria das mulheres que fazem tripla jornada e algumas ainda estudam.

Se cuide. Se mime, se goste. Tudo isso faz parte do autocontrole. Se dê algum crédito, é impossível não surtar. Mas não precisa atingir as crianças, pense nisso. Nosso descontrole não é culpa da criança, mas Mães são humanas e isso pode acontecer vez ou outra. O que não pode é ser uma constante. O importante é ir tomando cada vez mais consciência do próprio processo emocional para tentar trazer algum equilíbrio a si mesma e à relação com o filho. Com generosidade. Sem culpas.

E recebe meu beijo grande no seu coração,

Fernanda Teles

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