Como ficar mais tempo com meu filho?

ficar mais tempo

Hoje até que me acostumei com a expressão “tempo de qualidade”, mas sempre achei estranho eu ter que falar com os pais que eles precisam passar um tempo especial com os filhos. Me ecoava mentalmente que durante trinta minutos por dia teríamos um tempo de conexão e amor com nossos filhos, mas depois não mais. Soava em mim que o restante do tempo que os pais passariam com os filhos não precisava ser especial. Ficava sempre me indagando: que triste precisar ter apenas um único momento especial por dia com os filhos, me parecia uma alternativa à escassez de tempo para os afetos, que é tão essencial na construção de um ser humano. E quanto mais me aprofundei nos estudos, mais percebi que não poderíamos nunca agir assim. Delimitar um tempo de qualidade, ficar mais tempo com meus filhos e ponto final, que já seria suficiente. E mesmo acreditando nessa premissa, também vejo o “tempo de qualidade” com bons olhos. Ficou confuso? Vou explicar melhor.

Entendo que as diferentes obrigações a que estamos sujeitos na vida moderna reduzem de forma significativa a duração dos períodos de lazer que temos com nossos filhos, ficar mais tempo com eles é importante. Consequentemente, falta-nos tempo para estarmos com aqueles de quem gostamos, certo? Mas o que não podemos é achar que os “momentos de qualidade”, principalmente aqueles sugeridos pela Disciplina Positiva (veja na carta em anexo neste texto), podem servir como alívio para nossa consciência e esquecermos que as relações afetivas dependem do investimento sistemático e contínuo. Não podemos pensar: pronto, brinquei 10 minutos com meu filho e não preciso mais estar com ele. Nunca! Não podemos pensar em relações de qualidade marcadas por encontros breves, concordam? Ficar mais tempo com meu filho mesmo que estes sejam momentos de qualidade. 

Numa relação saudável, amorosa e de pessoas próximas, há necessidades diárias que precisam ser preenchidas e quando falamos de uma criança, não esses espaços não são supridos com 10 minutos diários. A vontade afetiva de uma criança é na verdade de um ser humano, de tocar, abraçar, ou ser afagado, ela é genuína, constante e precisa de previsibilidade. Ser pai e mãe, implica estar presente quando é preciso e sempre que for preciso. E não apenas quando é possível.

Os filhos que não usufruem do investimento diário e denso dos pais sofrem muito e lacunas são criadas. E acredito que você saiba muito bem do que essas lacunas poderão ser preenchidas, né? Esse vazio existencial do não amor contínuo, da imprevisibilidade e da inconstância da figura maternante e paternante. Amor aos filhos não pode ser dosados como remédios. Se os momentos bons forem medidos no conta gotas, eles farão parte da mala pesada das ausências constantes, sejam estas físicas ou emocionais.

Nossos filhos não podem ficar com o tempo que sobra! Chega de deixar as crianças margeadas, descentralizadas e com nossas sobras de afeto. O tempo que nos resta no final do dia não é tempo de qualidade. Nosso filho precisa da gente por inteiro e não pedaços de pais e mães cansados de uma rotina exaustiva. E vejo, por experiência própria e pelas milhares de mães que já atendi, que por mais que custe admitir, muitas pessoas gastam muito tempo se alienando da própria realidade e não priorizando ficar mais tempo com meu filho. Fugindo do que de fato a dinâmica familiar nos oferece e se escapando para os poços encantados das expectativas irreais. 

Bom, e onde fica a parte que concordo com o “momento especial” sugerido pela Disciplina Positiva? Para responder, te faço uma pergunta, caro leitor: Que esforço você tem feito, nos últimos tempos, para estar mais tempo com as pessoas de quem gosta? E digo aqui, tempo de qualidade mesmo, troca de afetos verdadeiros.

Se você realmente se esforça e transforma o banho do seu filho em um momento de pura conexão, se faz dos horários das refeições agradáveis oportunidades de ouvir empaticamente seu filho e proseia sobre a vida, se ao trocar a roupa ou a fralda do seu pequeno, faz com extremo afeto e apreço, se ao chegar o momento da noite você realmente está disponível emocionalmente para a hora da leitura e o faz com entusiasmo, bom…então o momento especial realmente pode ser útil na sua vida. Mas ele sozinho, esqueça. E o mais importante: se achar que não tem tempo, disponibilidade emocional ou física, paciência, e por aí vai, não reclame quando seus filhos começarem a apresentar desafios de comportamento, ok? Mas se você chegou aqui e não sabe o que fazer, vem comigo! 

Gostou do artigo? Acha que vai conseguir ficar mais tempo com seu filho?

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