Como cativar seus alunos e exercer autoridade saudável?

Sinto que um dos maiores desafios para os educadores é o de exercer a autoridade de forma respeitosa. Digo respeitosa porque os professores ainda recorrem muito a castigos, punições e recompensas para conseguirem atenção. Mandam pra fora de sala por causa da desobediência e dão recompensas para conseguir cativar seus alunos. Muitos ainda não conseguem sair desse ciclo milenar de punição x recompensa para conseguir a colaboração de uma turma. E essa forma respeitosa ainda pode ir muito além! Respeitar o aluno como uma potência a ser desenvolvida e ser margem ao invés de barreira me parece um desafio muito grande para muitos educadores. As respostas ainda precisam ser iguais. Existe muito mais certo e errado do que exploração do potencial criativo da criança. Muitos professores ainda se colocam como detentores do saber e não assumem o papel de aprendizes junto com seus alunos. E infelizmente ainda vejo muitos professores querendo silêncio e obediência ao invés de criarem uma consciência colaborativa e crítica em sala de aula. Habilidades de vida tão essenciais no mundo hoje.

Para abordar esse assunto e trazer reflexões importantes e atuais sobre neurociência, psicologia e educação que comprovam a importância da interação professor-aluno como facilitadora da aprendizagem de forma significativa, eu fiz um recorte de uma entrevista muito interessante do mestre em educação, psicólogo e formador de professores, Marcos Meier, que palestrou no evento SOMOS PROFESSORES e descreveu oito dicas para ser um professor preparado para ensinar as novas gerações:

1. Seja um professor das novas gerações. Atualmente é preciso ser um educador que sabia equilibrar afeto com autoridade. Que seja atualizado em relação às novas tecnologias e sábio na construção de vínculos com seus alunos. Pesquise trabalhos como a Mediação da Aprendizagem, de Feuerstein. Essa teoria-prática auxilia o professor com um conjunto de posturas que tornam o processo de ensino e de aprendizagem muito mais eficiente, contínuo e autoperpetuante.

2. Seja um educador amigo. O aluno deseja um professor que tenha conteúdo com profundidade, saiba explicar com maestria e que também seja um amigo. O aluno quer aprender, mas de forma agradável, com o professor sendo seu amigo. Com base nisso, o professor precisa de formação continuada, atualização e aprender sobre construção de vínculo com seus alunos.

3. Estimule o aprendizado autônomo. Aprender copiando ou com alguém explicando detalhadamente, é fácil, mas cria dependência, não autonomia. O ideal é que o aluno aprenda sozinho e saiba continuar a aprender, mas para isso é preciso que o professor saiba distanciar-se quando necessário e aproximar-se nos momentos mais adequados. Um aluno autônomo em sua aprendizagem vai continuar a aprender mesmo depois da escola, o que é o grande objetivo da educação.

4. Interaja com seus alunos. O professor precisa conversar, ouvir, questionar e interagir com seus alunos. Esses são conceitos embasados pela teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva, do autor Reuven Feuerstein, israelense que comprovou a possibilidade de desenvolvermos a inteligência de alguém pela qualidade da nossa interação.

5. Seja uma autoridade. Saiba desenvolver a autoridade, sem ser autoritário. Os maiores problemas dos professores no Brasil estão relacionados à desobediência dos alunos, à falta de disciplina destes e à dificuldade que temos em exercer a autoridade, sem destruir o vínculo construído. Lembre-se que os alunos são diferentes, portanto, não podemos esperar que as mesmas estratégias funcionem de forma igual para alunos de diferentes idades e meios.

6. Estimule o aprendizado. O conteúdo acadêmico deve ter aplicação prática na vida do aluno. Estimular os alunos a aprender é a percepção de que o conteúdo das aulas tem aplicação imediata em suas vidas ou pelo menos a curto prazo. O papel do professor é o de ajudar o aluno a construir as pontes entre os conceitos aprendidos e a realidade atual.

7. Seja um mediador. A função do mediador não é mais a de ensinar, mas a de fazer o aluno aprender. Se para isso ele precisar sair de cena para que a aprendizagem aconteça de forma mais eficiente, é isso que ele fará. Por exemplo: se para aprender sobre as fórmulas da trigonometria o aluno utilizar vídeos publicados na internet e isso for mais eficiente que uma aula de quadro negro e giz, então o professor mediador fará exatamente isso: levará o aluno a aprender antes de vir à aula. Na aula, o aluno irá aprofundar, ampliar, discutir, argumentar e contra-argumentar com a mediação do professor que irá ajudá-lo nesse processo de aprendizagem.

8. Aceite as mudanças. Estamos em uma grande transição social, tecnológica e histórica. Sabemos o que gostaríamos de ter em sala de aula, mas ainda não sabemos como. Por exemplo: o fácil acesso às informações, às aulas em vídeo e os softwares educativos vão levar os alunos a aprender em casa, no computador, tablet, internet etc. antes mesmo de ir à aula, ou aprofundar o conhecimento após as aulas. Essa é uma tendência já percebida.

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