7 ESTRATÉGIAS PARA SUBSTITUIR CASTIGOS, GRITOS E AMEAÇAS

Nós, pais, temos um dos papeis mais importantes na vida! Educar um ser humano! E como esse processo acontece? Por meio dos nossos ensinamentos! Ensinar é transmitir experiência prática a alguém. Demonstrar como se faz algo. Transmitir conhecimento sobre algo, certo?

Mas porque então quando uma criança não sabe ou não consegue se comportar, ao invés de ensinar, muitos pais ainda CASTIGAM, GRITAM E AMEAÇAM?

E não adianta suavizar a palavra punição ou castigo. Não podemos mais relativizar os níveis de violência. Tirar a criança do contexto sem ensinar e mandar ela para longe do adulto de referência é castigo. Gritar para conseguir algo ou ameaçar a criança/adolescente é desrespeitoso. Ambas práticas são violentas.

Pesquisa recente realizada 7038 cuidadores de crianças de 0 a 5 anos revela que 84% dos pais acreditam que palmadas ou gritos (ou os dois juntos) são necessários para educar crianças. De acordo com a pesquisa, 49% dos pais entrevistados acreditam ser necessário dar palmadas para educar a criança. Já o castigo foi considerado essencial na educação por 73% e o grito por 25%. No total, 84% dos pais entrevistados acreditam ser necessária a utilização de uma dessas ações ou da combinação delas para educar.

Grave, gravíssimo ou inaceitável?

O presente estudo confirma que os gritos, castigos e punições ainda permanecem no imaginário social como um recurso permitido e apropriado para a educação dos filhos, o que eu e muitos estudos científicos sobre o tema consideram um sério problema de saúde pública.

Do ponto de vista da ciência e cada vez mais dos profissionais que se ocupam da atenção à criança, os castigos físicos são tidos como violência. Pode, entretanto, não ser percebido como violência por quem o pratica, devido à difusão e aceitação social da prática. Nos meios populares pode chegar a ser motivo de ostentação e é freqüentemente cobrado dos pais e familiares pela sociedade em situações de desafios de comportamento. E até mesmo as crianças/adolescentes que sofrem o castigo, incorporando os valores culturais, podem, também, não encarar o castigo como violência, pois aprendem precocemente, que é “normal” ou até desejável apanhar dos pais.

Essas práticas acontecem porque a maioria dos pais quer resultados imediatos, muitas vezes não tem noções sobre o desenvolvimento infantil e nunca lhes ensinaram a fazer diferente. Então, como os gritos, castigos e ameaças aparentemente ‘funcionam’ e como não há exemplos de gerações anteriores que cresceram sem esses recursos, as pessoas têm uma resistência muito grande a mudanças. Além disso, muitas pessoas confundem falta de castigos com falta de educação, o que é um paradoxo, já que punir definitivamente não é educar. 

Estima-se que, atualmente, temos no mínimo 85% da população brasileira que cresceu com castigos físicos e com as noções de que respeito era imposto e obediência cega era desejada. É preciso convicção total para se abandonar práticas de criação que estão impregnadas na pessoa que viveu uma infância com castigos. É preciso também assumir que os próprios pais erraram. As pessoas criadas com castigos não foram educadas para contestar, para seguir sua própria inteligência, mas para obedecer. Pela nossa história e construção cultural, isso é compreensível nas gerações passadas, mas, atualmente, com tanta informação disponível, não podemos mais aceitar jargões como “apanhei e virei gente”. Enfim, é preciso coragem para questionar e fazer diferente, e isso não significa não reconhecer as coisas boas que seus próprios pais fizeram.

Então quero te ensinar hoje como podemos fazer diferente! Como é totalmente possível educar de forma firme, gentil e com limites saudáveis.

Como vimos anteriormente, até hoje muitas pessoas ainda acreditam que criança/adolescente que não é punida e castigada será desobediente. Pelo contrário, vejam as consequências das punições, gritos e ameaças:

  • Atraso desenvolvimento cognitivo
  • Dificuldade de regulação emocional
  • Maior chance de agredir outras pessoas
  • Menos empatia
  • Dificuldades escolares
  • Crises de ansiedade e sensações de menos valia
  • Depressão
  • Vingança

Desafios de comportamento não podem ser fontes de castigo. Precisam ser oportunidades de aprendizado. Nossos filhos precisam de um mentor…um direcionamento. A criança precisa confiar em nós. E quando existe esse vínculo de respeito e confiança, a criança/adolescente vai entender que nós podemos decidir algumas situações para eles, pois eles confiarão, se sentirão seguros com as nossas decisões.

COMO SUBSTITUIR OS CASTIGOS E GRITOS

Não basta não bater. Educar requer tempo, paciência e novas estratégias, vamos aprendê-las?

  • EDUQUE NO MOMENTO CERTO

Não educamos no momento do caos emocional, da birra, do ataque de raiva… No momento da frustração tudo que a criança precisa é do seu apoio para aprender a se regular. Ela precisa da sua “guiança” e não de um castigo para fazê-la se sentir ainda pior;

  • CONECTE-SE COM SEU FILHO ANTES DA CORREÇÃO

Nos momentos de desafio, seja empático, acolha e valide os sentimentos: “Filho, eu sei que você está bem desanimado para fazer suas atividades e ficou nervoso por eu insistir, certo? Vem aqui, quero um abraço. Imagino como você esteja se sentindo. Vamos dar uma volta no quintal?”

  • ENSINE NOVAS ESTRATÉGIAS

E novas formas de se comportar no momento que seus filhos estiverem se sentindo bem, tranquilos e felizes. Nessas horas eles estão dispostos a te ouvir e aprender, mas nunca durante a inundação emocional;

  • FAÇA COMBINADOS

Nos momentos de conexão, faça combinados, instigando seu filho a trazer soluções para os problemas que estão sempre se repetindo em casa. Anote os combinados, assine, cole em algum lugar visível;

  • O APRENDIZADO ACONTECE POR REPETIÇÃO

Se você está sempre castigando seu filho por ele não fazer as atividades escolares e se ele só faz com ameaças, o cérebro dele já se acostumou com o caminho neuronal do castigo.  Acontece um processo chamado de “neuroassociação”, ou seja, a criança/adolescente vai esperar a ameaça para agir e antes, ela também registou que é preciso se comportar mal até que a ameaça venha.

  • MUDE PRIMEIRO O SEU CAMINHO NEURAL

Se o seu caminho neural, a sua reação automática sempre for gritar, castigar e punir, você vai precisar mudar essa rota e precisará de muita consciência, intenção e repetição. Saia de cena pra se acalmar, faça uso da pausa positiva, se afaste, respire e use as estratégias acima. Vá substituindo as práticas punitivas por tudo que está aprendendo aqui.

  • AVISOS

Para que a criança saia de uma atividade e seja redirecionada para outra, ela precisa de no de 30 minutos para se desconectar de forma saudável do que ela está fazendo. Avise de 10 em 10 minutos para que ela possa ir se preparando e vá reforçando: “Tá combinado? Daqui 15 minutos vamos para o banho?”

Tenho mais um conteúdo super rico que vai te ajudar nesse processo de aprendizado de novas estratégias positivas para educar, clica e me conta lá nos comentários o que achou, tá?

COMO NÃO EXPLODIR COM MEUS FILHOS

Assista esse vídeo onde falo mais sobre esse tópico:


Espero que tenha ficado claro aqui que punir e recompensar são atitudes que os pais usam para manipular o comportamento dos filhos e para para educa-los. Se você se comportar na casa da vovó, ganha um pirulito. Se fizer birra, não vai ganhar tal brinquedo, por exemplo. Algumas pessoas acreditam que nada será aprendido até que a criança receba uma punição, e ao puni-lo, deixam de lado outras alternativas de disciplina positiva, tornando-se um ciclo vira vicioso: quando se comportarem mal de novo serão novamente punidos e vã, inclusive, esperar por isso. Nós precisamos quebrar o ciclo do mau comportamento. Afinal, queremos ou não educar nossos filhos?

Conte comigo nessa missão e compartilhe com todos os amigos que estão precisando ouvir palavras encorajadoras para educar de forma mais positiva e respeitosa!

Beijocas no seu coração de mãe,

Fê Teles

 

 

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